⚡ Resumo rápido:
- Os números do lançamento são altos: 96,0% no GPQA Diamond, 97,6% no FrontierMath Tier 4 v2, 100% no ExploitBench e 99,9% no ARC-AGI-3.
- O 99,9% depende de um harness próprio da OpenAI. No harness padrão da ARC Prize, o mesmo modelo fez 62,7%.
- Em índices independentes o quadro muda: a Artificial Analysis dá 61 ao Astra no Intelligence Index, contra 66 do Claude Fable 5.1.
- Tem um benchmark em que o Astra perde para o antecessor e não apareceu no anúncio: o Humanity’s Last Exam com ferramentas (57,2%).
- O ganho mais consistente e menos contestado está em uso de computador, cibersegurança e contexto longo.
Todo lançamento de modelo vem com uma tabela de benchmarks, e a do GPT-6 Astra é das mais agressivas que a OpenAI já publicou. O problema de ler tabela de fabricante é sempre o mesmo: harness, esforço de raciocínio e seleção de comparados mudam o resultado tanto quanto o modelo. Abaixo, o que os números dizem — separando o que é medido por terceiros do que é medido em casa.
Os números que a OpenAI publicou
| Benchmark | GPT-6 Astra | GPT-5.6 Sol | Claude Fable 5.1 |
|---|---|---|---|
| ARC-AGI-3 (harness da OpenAI) | 99,9% | 7,8% | — |
| FrontierMath Tier 4 v2 | 97,6% | 83,0% | 87,8% |
| GPQA Diamond | 96,0% | 94,6% | 93,7% |
| OSWorld 2.0 (uso de computador) | 72,6% | 65,7% | — |
| ScreenSpot-Pro | 92,7% | 76,9% | — |
| Terminal-Bench 4.0 | 57,7% | 37,3% | 55,8% |
| DeepSWE v1.1 | 74,1% | 72,7% | — |
| ExploitBench | 100,0% | 78,5% | 70,0% |
| SRE-Bench (1ª tentativa) | 88,0% | 55,9% | 12,5% |
| MRCR v2 (8 agulhas, 512K–1M) | 96,3% | 73,8% | — |
O asterisco do 99,9%
O número de manchete é o ARC-AGI-3, teste de raciocínio interativo em que modelos de fronteira ficavam abaixo de 1% em março de 2026. O Astra marcou 99,9% — com o “Provider Adapter” da OpenAI, que preserva o estado interno de raciocínio entre requisições. Rodando o mesmo modelo no harness padrão da ARC Prize, o resultado cai para 62,7%. São 37 pontos de diferença entre a mesma rede neural com dois encanamentos diferentes.
A ARC Prize reconheceu o salto — fala em “mudança de patamar” nas capacidades de fronteira — e, no mesmo texto, avisou que saturar o ARC-AGI-3 não prova AGI. Vale a mesma cautela para o FrontierMath: o benchmark foi financiado pela OpenAI, que tem acesso exclusivo a parte dele.
Quando quem mede é de fora
A Artificial Analysis roda os modelos por conta própria, com harness igual para todo mundo. O resultado é bem menos triunfal:
- Intelligence Index: Astra 61 — empatado com o GPT-5.6 Sol e 5 pontos atrás do Claude Fable 5.1 (66). O Muse Spark 1.3, da Meta, também aparece à frente.
- Coding Agent Index: Astra 67 no Codex, tecnicamente empatado com Claude Opus 5 e Muse Spark 1.3; a liderança segue com o Fable 5.1 no Claude Code, com 70.
- Eficiência: aqui o Astra brilha — gasta 1/3 dos tokens do GPT-5.6 Sol e 1/5 dos do Claude Opus 5 no mesmo trabalho de agente. Como o preço por token subiu 2,5x, o custo por tarefa no índice de inteligência ainda ficou ~75% maior.
- GDPval-AA v2 (tarefas de trabalho real): queda de cerca de 80 pontos de Elo em relação ao antecessor, enquanto o índice de trabalho de longo horizonte subiu na mesma ordem de grandeza.
O benchmark que sumiu da apresentação
No Humanity’s Last Exam com ferramentas, o Astra fez 57,2% — atrás de Claude Fable 5.1 (65,0%), Fable 5 (63,8%) e Opus 5 (63,6%). É o único teste público em que o modelo fica abaixo dos rivais diretos, e ele não foi citado no texto do anúncio. A OpenAI também não publicou o GDPval, o benchmark que ela mesma criou em 2025 para medir “trabalho economicamente valioso” em 1.320 tarefas de 44 profissões — justamente a definição de AGI que consta do estatuto da empresa.
Onde o ganho é sólido
Tirando o ruído, três blocos de resultado se sustentam mesmo com harness de terceiros: uso de computador (OSWorld 72,6% e ScreenSpot-Pro 92,7%, com 47% menos tempo por tarefa), cibersegurança (100% no ExploitBench e 88% no SRE-Bench na primeira tentativa, contra 12,5% do concorrente mais próximo) e contexto longo (96,3% de recuperação na faixa de 512K a 1M de tokens, contra 73,8% do Sol). São também as três áreas em que o modelo é caro de rodar — e onde o ganho de eficiência compensa.
Perguntas rápidas
Então o GPT-6 Astra é o melhor modelo do mundo?
Nos testes da OpenAI, sim. Em índices independentes, ele lidera em uso de computador e cibersegurança, empata em código e fica atrás do Claude Fable 5.1 em inteligência geral.
Por que o mesmo modelo tem duas notas tão diferentes no ARC-AGI-3?
Porque o harness da OpenAI mantém o estado de raciocínio entre chamadas, e o padrão da ARC Prize não. O modelo é o mesmo; o que muda é quanto de memória de trabalho ele carrega entre uma jogada e outra.
Dá para confiar em benchmark de fabricante?
Serve como piso de comparação, desde que você leia as notas de rodapé: qual harness, qual esforço de raciocínio, se as salvaguardas estavam ligadas e quais concorrentes ficaram de fora.
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Veja também
- GPT-6 Astra: o que a OpenAI lançou em 3 de setembro
- GPT-6 Astra vs Claude, Gemini e Meta: quem lidera de verdade
- “Bem-vindo à era da AGI”: a frase que o próprio benchmark contesta
Fontes
- OpenAI — GPT-6 Astra: a new generation of intelligence (03/09/2026)
- Artificial Analysis — Benchmarking GPT-6 Astra (03/09/2026)
- Vellum — GPT-6 Astra benchmarks explained (03/09/2026)
- DataCamp — GPT-6 Astra: features, benchmarks and pricing (2026)
- Trending Topics — GPT-6 Astra trails top models from Anthropic and Meta in benchmarks (2026)
- The New Stack — OpenAI launches GPT-6 Astra and says welcome to the “AGI era” (03/09/2026)
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