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Gemini 4 Carbon: o modelo mais forte do Google que (quase) ninguém pode usar

⚡ Resumo rápido:

  • O Gemini 4 Carbon, anunciado em 28/10, é o modelo mais forte do Google, mas só defensores de cibersegurança podem usá-lo.
  • O acesso passa pelo programa Fairwind, com mais de 650 parceiros. Não há data para o público.
  • No índice independente da Artificial Analysis, lidera com 59 pontos, contra 58 do Claude Opus 5.5 e 57 do GPT-6 Astra.
  • Preço anunciado na API: US$ 2 / US$ 10 por milhão de tokens (entrada/saída) no início e US$ 4 / US$ 20 depois.
  • Para o público, o topo de linha é o Gemini 4 Argon, no app Gemini do Google AI Pro (R$ 96,99/mês) e do Ultra.

Se você assina o Google AI Pro e procurou o Gemini 4 Carbon no seletor de modelos, pode parar. O modelo que o Google apresentou na quarta-feira (28) como o seu mais forte não está no app, na API nem nos planos para empresas. Foi entregue primeiro a quem protege redes contra ataques. Para o resto do mundo, inclusive o Brasil, resta o Gemini 4 Argon, liberado duas semanas antes.

O que é o Gemini 4 Carbon e por que o Google segura o modelo

Koray Kavukcuoglu, vice-presidente sênior do Google DeepMind e arquiteto-chefe de IA do Google, descreve o Carbon como o modelo mais forte da empresa, com capacidades de ponta em cibersegurança e em tarefas longas de programação. “Internamente, nossas equipes viram o Carbon rodar por dias”, escreveu.

A cibersegurança explica a trava. Nos testes do Google, feitos com as proteções desligadas, o Carbon acha falhas reais (88,2% no SEC-bench Pro), corrige código vulnerável (71% no CWE-bench) e escreve ataques que exploram essas falhas: 54,8% no ExploitGym, contra 42% do Argon. Na leitura da Forbes, é essa capacidade ofensiva que o Google considera arriscada demais para liberar a todos.

O Google diz que participa dos testes voluntários pré-lançamento do governo dos EUA e que ainda ajusta as travas. A promessa para desenvolvedores, empresas e consumidores é “em breve”. O Tecnoblog diz que o Google prevê abrir a API em uma a duas semanas; o post oficial não cita prazo.

Quem pode usar o Carbon: o programa Fairwind

Criado em setembro, o Fairwind reúne mais de 650 parceiros no mundo, segundo a página do programa. A prioridade é de governos e autoridades de cibersegurança, operadores de infraestrutura crítica (saúde, telecomunicações, energia e finanças) e grandes plataformas de tecnologia.

As regras incluem checagem de antecedentes, autenticação resistente a phishing, uso só por equipes internas de segurança e proibição de revender o acesso. Analisar malware pode; criar malware, não. O pedido é feito pela equipe de conta do Google Cloud. A Forbes aponta lacunas: o Google não publica a lista de participantes, e a página ainda cita só o Argon, sem regras publicadas para o Carbon.

Benchmarks do Gemini 4 Carbon: Google x testes independentes

Os números de cibersegurança são do próprio Google, sem reprodução independente. E a tabela do Google mostra rivais na frente em dois testes: no FrontierSWE 2, de engenharia de software, o GPT-6 Astra marca 65,5% e o Claude Opus 5.5, 62,3%, contra 61,2% do Carbon. No OSWorld-2.1, de uso de computador, o Opus 5.5 faz 87,2%, contra 81,5%.

Modelo Empresa Índice Artificial Analysis v5.0 Custo por tarefa do índice
Gemini 4 Carbon (high) Google 59 (1º de 58) US$ 7,76
Claude Opus 5.5 (max) Anthropic 58 US$ 10,04
GPT-6 Astra (max) OpenAI 57 US$ 6,24
GPT-6.1 Sol (max) OpenAI 55 US$ 1,27
Gemini 4 Argon (high) Google 50 US$ 7,68

A liderança independente é apertada e tem custo. Para rodar o índice da Artificial Analysis, o Carbon gerou 200 milhões de tokens de saída, quase o triplo da mediana, o que encarece cada tarefa. Na Vals AI, que mede trabalho profissional, ficou em 2º, com 70,36%, colado no Claude Sonnet 5.5 (70,85%) e no Opus 5.5 (70,18%).

Nem tudo melhorou: na prova de conhecimento da Artificial Analysis, a taxa de alucinação subiu de 4% (Argon) para 11%. Ou seja, quando não sabe, o Carbon chuta errado com mais frequência em vez de admitir a dúvida.

Gemini 4 Argon: o que dá para usar hoje

O Argon foi anunciado em 30 de setembro só para o Fairwind e liberado em 13 de outubro para assinantes do Google AI Pro e do Ultra no app Gemini e no Modo IA da Busca, este em alguns países. Na API, como gemini-4-argon, não tem nível gratuito e custa US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 de saída até 30 de novembro. A partir de 1º de dezembro, US$ 4 e US$ 20. O Carbon estreia com a mesma tabela, sem data para o fim da promoção.

E no Brasil?

O Carbon não está liberado ao público em nenhum país. A página do Fairwind não cita restrição por país, então órgãos públicos e operadores de infraestrutura crítica brasileiros podem, em tese, pedir acesso pelo Google Cloud.

O Argon já funciona aqui: o app Gemini está disponível no Brasil e em português, segundo a central de ajuda do Google. Os preços da página oficial de planos:

Plano Preço no Brasil Tem o Gemini 4 Argon?
Gratuito R$ 0 Não (modelo Flash-Lite)
Google AI Plus R$ 24,99/mês Não (modelo Flash)
Google AI Pro R$ 96,99/mês Sim
Google AI Ultra a partir de R$ 779,90/mês Sim, com limites maiores

Para empresas, o Argon está desde 13 de outubro no Gemini Enterprise Agent Platform, novo nome do Vertex AI, mas só nos endpoints global, EUA e União Europeia e nas regiões de Londres e Singapura. Sem São Paulo na lista, os dados são processados fora do país, o que exige atenção às regras de transferência internacional da LGPD.

Na API, cobrada em dólar, a conta com a PTAX de 30/10 (R$ 5,4212) e o IOF de 3,5% do cartão internacional dá cerca de R$ 11,22 por milhão de tokens de entrada e R$ 56,11 de saída no preço inicial de Carbon e Argon. Na tabela cheia, R$ 22,44 e R$ 112,22, sem contar o spread do banco. O Google não divulgou testes do Carbon em português.

Perguntas rápidas

Como usar o Gemini 4 Carbon?

Por enquanto, não dá. Só defensores de cibersegurança aprovados no programa Fairwind têm acesso, sem data para o público.

O Gemini 4 Argon é grátis?

Não. No app Gemini, ele está no Google AI Pro (R$ 96,99/mês) e no Ultra. Na API, não há nível gratuito.

Qual a diferença entre o Gemini 4 Carbon e o Argon?

O Carbon é o sucessor, com notas maiores em programação, agentes e segurança, mas está restrito. O Argon é o que o público usa hoje, pelo mesmo preço inicial na API.

Ficou com dúvida sobre algum termo de cibersegurança? O chat com GPT grátis responde em português direto no navegador, sem cartão.

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